sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Ceia no dia 14 de Nisã.

A Festa da Páscoa A páscoa era uma festividade sagrada comemorada pelos israelitas.A Páscoa (hebr.: pé·sahh; gr.: pá·skha) foi instituída na noite que precedeu o Êxodo do Egito. A primeira Páscoa foi celebrada por volta da época da lua cheia, no dia 14 do mês de abibe (mais tarde chamado nisã) do ano 1513 AEC. Dali em diante, deveria ser celebrada anualmente. (Êx 12:17-20, 24-27) Abibe (nisã) cai nos meses de março-abril do calendário gregoriano. A Páscoa era seguida de sete dias da Festividade dos Pães Não Fermentados, de 15 a 21 de nisã. A Páscoa comemora a libertação dos israelitas do Egito e serem os seus primogênitos ‘passados por alto’ quando Jeová destruiu os primogênitos do Egito. Quanto à época do ano, caía no início da colheita da cevada. — Êx 12:14, 24-47; Le 23:10.A Páscoa era uma celebração comemorativa; portanto, a ordem bíblica era: “E terá de acontecer que, quando os vossos filhos vos disserem: ‘Que significa para vós este serviço?’, então tereis de dizer: ‘É o sacrifício da páscoa a Jeová, que passou por alto as casas dos filhos de Israel no Egito quando feriu os egípcios, mas livrou as nossas casas.’” — Êx 12:26, 27.A Ceia do SenhorQuanto a adquirir o que conhecemos hoje levou muito tempo.Pouco antes de sua morte, Jesus celebrou a páscoa com seus discípulos e realizando um novo pacto. Este acontecimento conhecemos como refeição noturna do Senhor ou Santa Ceia, onde ele usou pão( Ázimo) e vinho (puro sangue da uva) para de forma simbólica indicar o sacríficio que ele iria fazer representando seu corpo. E que deveriam fazer isso não todo dia, toda hora, toda semana mas de ano em ano.“Isto significa meu corpo que há de ser dado em vosso benefício.” A seguir, Jesus fez passar um copo de vinho, dizendo: “Este copo significa o novo pacto em virtude do meu sangue, que há de ser derramado em vosso benefício.” Ele disse também: “Persisti em fazer isso em memória de mim.” (Lucas 22:19, 20; 1 Coríntios 11:24-26) Esta celebração é chamada de Refeição Noturna do Senhor, ou Comemoração. É a única celebração que Jesus mandou seus seguidores guardar.Muitas Igrejas afirmam que guardam esta celebração junto com todas as suas outras festividades, mas a maioria delas a comemora de forma diferente do modo ordenado por Jesus. Talvez a mais notável diferença seja a freqüência da celebração. Algumas Igrejas a celebram mensalmente, outras semanal ou mesmo diariamente. Será que foi isso o que Jesus pretendia quando disse aos seus seguidores: “Persisti em fazer isso em memória de mim”? The New English Bible diz: “Fazei isto em comemoração de mim.” (1 Coríntios 11:24, 25) Quantas vezes se celebra uma comemoração ou um aniversário? Usualmente, apenas uma vez por ano.Lembre-se, também, de que Jesus iniciou esta celebração e depois morreu na data calendar judaica de 14 de nisã. Era o dia da Páscoa, festividade que lembrava aos judeus a grande libertação que tiveram no Egito no século 16 AEC. Naquela ocasião, o sacrifício de um cordeiro resultou na salvação dos primogênitos judeus, ao passo que o anjo de deus abateu todos os primogênitos do Egito. — Êxodo 12:21, 24-27.A Páscoa era uma celebração anual. Logicamente, pois, o mesmo se dá com a Comemoração. A Páscoa — o dia em que Jesus morreu — sempre caiu no dia 14 do mês judaico de nisã. Portanto, a morte de Cristo deve ser comemorada uma vez por ano no dia calendar que corresponde ao 14 de nisã. Ao passo que muitos na Ásia Menor seguiam a prática dos apóstolos, em Roma reservava-se o domingo para a celebração. Por volta do ano 155 EC, Policarpo de Esmirna, representante das congregações da Ásia, visitou Roma para tratar deste e de outros problemas. Infelizmente, não se chegou a um acordo neste assunto.Irineu de Lião escreveu numa carta: “Nem Aniceto [de Roma] conseguiu persuadir Policarpo a não guardar o que sempre tinha guardado com João, o discípulo de nosso Senhor, e com os outros apóstolos com que se associara; nem Policarpo conseguiu persuadir Aniceto a guardá-lo, pois este disse que ele se devia apegar ao costume dos anciãos que lhe antecederam.” (Eusebius, Livro 5, capítulo 24) Note que se diz que Policarpo baseou sua atitude na autoridade dos apóstolos, ao passo que Aniceto recorreu ao costume dos anteriores anciãos em Roma.Esta disputa intensificou-se perto do fim do segundo século EC. Por volta de 190 EC, certo Vítor foi eleito bispo de Roma. Ele acreditava que a Santa Ceia do Senhor devia ser celebrada num domingo, e procurava o apoio do maior número possível de líderes. Vítor pressionou as congregações asiáticas para que mudassem para o arranjo de domingo.Polícrates de Éfeso, respondendo em nome dos da Ásia Menor, negou-se a ceder diante desta pressão. Ele disse: “Nós guardamos o dia sem alterá-lo, nada lhe acrescentando nem tirando.” Daí ele alistou muitas autoridades, inclusive o apóstolo João. “Todos estes”, sustentou ele, “guardavam o décimo quarto dia como Pascha, segundo o Evangelho, em nada se desviando disso”. Polícrates acrescentou: “Eu, da minha parte, irmãos, . . . não me amedronto com ameaças. Porque os superiores a mim disseram: Temos de obedecer a Deus antes que aos homens.” — Eusebius, Livro 5, capítulo 24.Vítor desagradou-se desta resposta. Uma obra histórica diz que ele “excomungou todas as igrejas asiáticas, e mandou suas circulares a todas as igrejas que concordavam com sua opinião, para que não mantivessem nenhum contato com elas”. No entanto, “este seu ato precipitado e atrevido não foi bem recebido por todos os homens sábios e sensatos do seu próprio grupo, dos quais alguns lhe escreveram severamente, aconselhando-o . . . a preservar a caridade, a união e a paz”. — Antiquities of the Christian Church (Antiguidades da Igreja Cristã), de Bingham, Livro 20, capítulo 5.Institucionalizada a apostasiaApesar de tais protestos, os cristãos na Ásia Menor ficaram cada vez mais isolados na questão de quando se devia celebrar a Refeição Noturna do Senhor. Em outros lugares, introduziram-se sorrateiramente variações. Alguns celebravam todo o período desde o 14 de nisã até o domingo seguinte. Outros a realizavam mais vezes — semanalmente, no domingo.Em 314 EC, o Concílio de Arles (na França) tentou impor o arranjo romano e suprimir quaisquer alternativas. Os quartodecimanos restantes não cederam. Com o fim de resolver este e outros assuntos que dividiam os professos cristãos no seu império, o imperador pagão Constantino convocou em 325 EC um sínodo ecumênico, o Concílio de Nicéia. Este emitiu um decreto que ordenou a todos na Ásia Menor a se harmonizarem com o costume romano.É interessante notar um dos principais argumentos apresentados para se deixar de observar a Comemoração da morte de Cristo na data do calendário judaico. A History of the Christian Councils (História dos Concílios Cristãos), de K. J. Hefele, declara: “Foi declarado especialmente indigno que esta, a mais sagrada de todas as festividades, seguisse o costume (o cálculo) dos judeus, que tinham sujado as mãos com o mais temível dos crimes, e cuja mente ficara cegada.” (Volume 1, página 322) Adotar esta posição era encarado como “‘sujeição humilhante’ à Sinagoga, o que aborrecia a Igreja”, diz J. Juster, citado em Studia Patristica, Volume IV, 1961, página 412.Anti-semitismo! Aqueles que celebravam a Comemoração da morte de Jesus no mesmo dia em que ele morreu eram encarados como judaizantes. Foi esquecido que o próprio Jesus era judeu e que fora ele quem dera àquele dia seu significado por oferecer sua vida a favor da humanidade. A partir de então, os quartodecimanos foram condenados como hereges e cismáticos, e foram perseguidos. O Concílio de Antioquia, em 341 EC, decretou que eles deviam ser excomungados. Todavia, em 400 EC ainda havia muitos deles, e estes persistiram em pequenos números ainda por muito tempo.Desde aqueles dias, a cristandade não retornou ao arranjo original de Jesus. O Professor William Bright admitiu: “Quando se passou a devotar um dia especial, a sexta-feira santa (Jesus Morreu numa quarta!), para a comemoração da Paixão como tal, era tarde demais para atribuir-lhe as questões ‘pascoais’ que S. Paulo tinha ligado com a morte sacrificial: elas tinham sido liberalmente aplicadas à própria festividade da Ressurreição, e criou-se uma confusão de idéias na linguagem ritual da cristandade grega e latina.” — The Age of the Fathers (A Era dos Pais), Volume 1, página 102.E que dizer da páscoa como conhecemos hoje?O sacerdote católico Francis X. Weiser admitiu: “Algumas das tradições populares da Quaresma e da Páscoa remontam a antigos ritos em honra da natureza.” Estes ritos primaveris [hemisfério norte] visavam originalmente “afugentar os demônios do inverno [setentrional]”.O perito católico do oitavo século, Venerável Bede, afirmava que o termo derivava-se do nome de uma deusa anglo-saxônica da primavera, “Eostre”. Em seu livro, The Two Babylons (As Duas Babilônias), Alexander Hislop afirmava haver uma conexão entre a Páscoa e a deusa babilônica Astartéia.Costumes Pagãos Que Foram “Cristianizados”Ovos de Páscoa: Visto que comer ovos era anteriormente proibido na Quaresma, The Encyclopedia Americana afirma que “ovos decorados podiam simbolizar o fim da época de penitências e o começo de alegre celebração”. Não obstante, as obras de referência concordam que o ovo era um símbolo da vida e da fecundidade entre os idólatras. Afirma o livro Celebrations (Celebrações): “Dizia-se que os ovos eram coloridos e comidos nas festas da primavera setentrional do antigo Egito, Pérsia, Grécia e Roma. Os persas daquela época davam ovos de presente no equinócio vernal [outonal, hem. sul].”Lebres e Coelhos da Páscoa: Na Europa, a lebre há muito tem sido um símbolo tradicional da Páscoa. (Na América do Norte e do Sul, o animal é o coelho — parente próximo da lebre.) Todavia, The New Encyclopædia Britannica (Nova Enciclopédia Britânica) explica que a lebre era “o símbolo da fecundidade no antigo Egito”. Assim, saírem as crianças em busca dos ovos de Páscoa, supostamente trazidos pelo coelho pascal, “não se trata de mera brincadeira de criança, mas é vestígio dum rito de fertilidade”. — Funk & Wagnalls Standard Dictionary of Folklore, Mythology and Legend (Dicionário Padrão de Folclore, Mitologia e Lendas, de Funk & Wagnalls), volume 1, página 335.

Ir. Flavio Schmit

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